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12 de nov. de 2015

Juiz de Colatina defere medida liminar contra a Samarco Mineração

Após o rompimento de duas barragens em Mariana (MG), o juiz Menandro Taufner Gomes, da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Registros Públicos e Meio Ambiente de Colatina, deferiu medida liminar determinando que a empresa Samarco Mineração forneça, em favor dos municípios de Colatina, Baixo Guandu e Linhares, água potável para consumo humano e animal. O fornecimento deverá ocorrer imediatamente a partir da suspensão oficial da captação de água nesses municípios por ocasião da “onda de lama” no Rio Doce.
Segundo a decisão, a empresa deverá dar apoio necessário à continuidade das atividades sociais, econômicas, agrícolas e industriais. O juiz ainda determinou que a Samarco apresente, no prazo de dez dias, um Plano de Contenção, Prevenção e Mitigação dos impactos ambientais e sociais derivados da impossibilidade da utilização racional e adequada do recurso hídrico do Rio Doce, especialmente apoiando, resguardando e planejando a recuperação das atividades pesqueira e de irrigação. Além disso, a empresa deverá realizar imediatamente o resgate da fauna aquática, por meio de equipe especializada, para posterior reinserção em ambiente natural.
A Samarco também deverá elaborar, no prazo de dez dias, um plano de comunicação social, que permita informar, continuamente e de maneira atualizada, as circunstâncias e condições decorrentes do desastre, com utilização de todas as mídias disponíveis e órgãos oficiais. Caso a empresa não cumpra as determinações, a Samarco e o diretor-geral deverão pagar, solidariamente, multa diária de R$ 300 mil. O descumprimento da liminar ainda implicará na prisão em flagrante do diretor-geral da empresa, ou de quem o substitua na função, por crime de desobediência ou prevaricação.
Outra medida a ser tomada, caso a Samarco não cumpra as determinações do juiz, será a solicitação ao Ministério Público de dissolução judicial da pessoa jurídica, por atividade nociva à sociedade. Na decisão, o juiz ainda solicita ao Ministério Público a abertura de ação penal ou investigação policial, por possíveis crimes cometidos pela pessoa jurídica, ou por seus agentes e prepostos. Por fim, o magistrado requisita ao Estado de Minas Gerais laudos provisórios da análise da água poluída. Já a empresa deverá informar, no prazo de dez dias, o resultado do faturamento líquido, verificado no último balanço anual.
O Estado do Espírito Santo, autor da ação, informa nos autos que “o país assiste estarrecido, desde 05/11/2015, a catástrofe ambiental causada pelo rompimento das barragens Fundão e Santarém, no município mineiro de Mariana, utilizadas para contenção dos rejeitos da atividade de extração mineral”. O Estado ainda destaca que, “com o rompimento da zona represada, os rejeitos industriais imanentes ao extrativismo foram abruptamente lançados na água do Rio Doce e seus afluentes, gerando uma 'onda de lama' que varreu a cidade de Mariana/MG”.
O Estado também frisa, na ação, que o rompimento das barragens trouxe mortes, escassez de água potável, destruição material, desalojamento de centenas de famílias, fulminação das matas ciliares, assoreamento do curso do rio, aniquilação da fauna e flora, além de tornar imprópria a captação da água para consumo humano e animal. Por fim, o Estado afirma que a lama atingirá em breve as cidades capixabas cortadas pelo Rio Doce (Baixo Guandu, Colatina e Linhares), o que causará desabastecimento, mortandade da fauna fluvial, comprometimento de atividades como a pesca profissional e prejuízos no setor agropecuário, além de escassez ou inacessibilidade a alimentos.
Em sua decisão, o juiz Menandro Taufner Gomes destaca: “Os acontecimentos que aí estão mostram a probabilidade de uma dinâmica lenta de agonização (talvez inevitável morte) da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, encadeada desde a nascente à foz, a culminar no desaparecimento de espécies nativas e extinção de ecossistemas, em razão dos dejetos tóxicos escoados no curso da água”.
O juiz também afirma que, “não bastasse a redução no potencial hídrico em decorrência das calamidades climáticas imprevisíveis, como a estiagem que assola todo o Vale do Rio Doce, deparamos hodiernamente com a calamidade humana, antrópica e (em tese) previsível, causada pela atividade econômica da ré, que incidiu, objetivamente, em risco iminente de dano. A prova documental traz forte indício de que a empresa repele, voluntariamente, a assunção de maiores responsabilidades no evento, além da total falta de transparência das possíveis ações preventivas após o sinistro”.
O magistrado também frisa que, “além do prejuízo à biota, existe risco iminente de dano grave à ordem social e econômica dos municípios atingidos pela 'lama industrial', visto que a água do Rio Doce é a principal, senão única fonte hídrica que fomenta as atividades industriais, comerciais, sociais e agrícolas nessas cidades. A morte da única ou principal fonte de captação de água potável poderá implicar por consequência no óbito da força pulsante desses municípios tão importantes para cultura, economia, ecologia e história”. O juiz conclui afirmando que a incerteza científica quanto à extensão e abrangência do dano ambiental não impede a realização de ações preventivas.
Processo nº 0016028-80.2015.8.08.0014.
Vitória, 12 de novembro de 2015.
Fonte: JUSBRASIL

6 de nov. de 2015

Barragem de mineradora se rompe em distrito de Mariana e alerta de enchente em três cidades do ES

Moradores da região disseram que pessoas estão soterradas e algumas ilhadas

06/11 - Carros e casas são vistos em meio a lama após o rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco no Distrito de Bento Rodrigues, no interior de Minas Gerais (Foto: Douglas Magno/AFP)
Duas b
arragens da mineradora Samarco se romperam na tarde desta quinta-feira (5), no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. De acordo com as primeiras informações do Corpo de Bombeiros em Ouro Preto, moradores da região disseram que pessoas estão soterradas e algumas ilhadas. Segundo o Estadão, o Corpo de Bombeiros informou que foram confirmados 17 mortos e 75 feridos. Mais de 50 feridos foram socorridos no local - 13 foram levados para um Hospital de Mariana, alguns em estado grave, de acordo com o jornal paulista.

A barragens, no distrito de Bento Rodrigues, pertencem à mineradora Samarco e fica cerca de 25 quilômetros de Mariana. Um relatório do governo de Minas Gerais de 2013, sobre o licenciamento ambiental para a barragem de Fundão, informava que a população no distrito de Bento Rodrigues em 2012 era de 612 pessoas em cerca de 200 casas.
O Hospital Monsenhor Horta, em Mariana, confirmou quatro pessoas feridas no desastre. Uma quinta pessoa chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Esta é a única morte confirmada até o momento.
As barragens liberaram, ao todo, 62 milhões de metros cúbicos de água e rejeitos de mineração no rompimento desta quinta-feira.

Secretaria não informa se Samarco tem licença ambiental
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) informou que criou um comitê de crise para cuidar do acidente. Uma equipe de emergência ambiental foi enviada para o local do desastre para avaliar a situação. A secretaria não informou se a mineradora tinha licença ambiental pra funcionar.
Já a Polícia Militar de Meio Ambiente informou que a mineradora foi fiscalizada há dois anos e nenhum problema foi encontrado nas barragens.
Governo Federal oferece ajuda
O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, colocou as forças federais à disposição do Estado de Minas Gerais para atuação em Bento Rodrigues (MG), em Mariana. O local foi atingido por uma enxurrada após rompimento de uma barragem de mineração, deixando vítimas e provocando estragos na região.

Em nota divulgada há pouco, a Casa Civil informa que o ministro entrou em contato com o governador de Minas, Fernando Pimentel, para colocar as forças federais à disposição. Jaques Wagner comunicou a presidente Dilma Rousseff do acidente antes do embarque dela de volta de Alagoas para Brasília.
A Casa Civil informa ainda que, a partir do Ministério da Defesa, foram colocados em regime de prontidão os batalhões de Belo Horizonte e de São João del Rey, "que estão mobilizados para atuar de acordo com as necessidades locais". Além disso, o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), órgão vinculado ao Ministério da Integração Nacional, está em comunicação permanente com o Estado e à disposição para atuar.
"A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) foi acionada e mantém contato com a gestão de saúde do estado para verificar as necessidades nas ações de resgate. Atuam, ainda, nas atividades de busca e salvamento, aeronaves da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros que sobrevoam o local", diz a nota da Casa Civil.
Samarco diz que não é possível confirmar as causas do acidente
Por meio de nota, a mineradora Samarco confirmou o rompimento nas barragens, nos municípios de Ouro Preto e Mariana. Entretanto, disse que não é possível confirmar a existência de vítimas nem as causas do acidente. A empresa também afirmou  que move "todos os esforços para priorizar o atendimento às pessoas e a mitigação de danos ao meio ambiente"
Confira a nota na íntegra
"A Samarco informa que houve um rompimento de sua barragem de rejeitos, denominada Fundão, localizada na unidade de Germano, nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG).
A organização está mobilizando todos os esforços para priorizar o atendimento às pessoas e a mitigação de danos ao meio ambiente. As autoridades foram devidamente informadas e as equipes responsáveis já estão no local prestando assistência.
Não é possível, neste momento, confirmar as causas e extensão do ocorrido, bem como a existência de vítimas. Por questão de segurança, a Samarco reitera a importância de que não haja deslocamentos de pessoas para o local do ocorrido, exceto as equipes envolvidas no atendimento de emergência."

Informações: Gazeta Online