NOSSA POLITÍCA

5 de set de 2010

Cliente morto a tiros por PM após discussão em lanchonete é enterrado

                                                                                                  POLICIAL
05/09/2010 14h04 - Atualizado em 05/09/2010 14h13

Auxiliar de 24 anos ia se casar em fevereiro; noiva passou mal no cemitério.
Enterro foi hoje na Zona Leste de SP; PM preso alega legítima defesa.

Kleber Tomaz Do G1 SP
Vítima foi morta após discussão em lanchoneteLanchonete onde vítima estava (Kleber Tomaz/G1)
O corpo do auxiliar de estoque Felipe Augusto Brandão, de 24 anos, morto por um policial militar à paisana após uma discussão em uma lanchonete na madrugada de sábado (4) na Zona Leste de São Paulo, foi enterrado no início da tarde deste domingo (5).

O sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade, na região de Ermelino Matarazzo, também na Zona Leste. Cerca de cem pessoas, entre amigos e parentes, acompanharam o cortejo, segundo o tio do jovem, Jair Brandão, tenente aposentado da Polícia Militar. “Na despedida, todos bateram palmas."
A noiva de Felipe chorou muito e passou mal durante a cerimônia. O casal namorava havia quatro anos e planejava se casar em fevereiro.
O soldado da PM Eduardo Ribeiro Reis foi preso e levado ao presídio Romão Gomes, da Polícia Militar, na Zona Norte da capital. Ele foi indiciado por homicídio doloso e porte ilegal de arma.
O crime ocorreu fora da lanchonete Habib’s da Avenida São Miguel, vizinha ao 24º Distrito Policial, da Ponte Rasa. Segundo a polícia, imagens do circuito interno de segurança registraram a confusão, dentro e fora da lanchonete. Os disparos feitos pelo soldado da PM já na calçada também foram filmados pelas câmeras do estacionamento. As imagens foram requisitadas pela polícia e serão utilizadas na investigação.
O office boy Edson Sobrinho (Kleber Tomaz/G1)
 
O office boy Edson Sobrinho (Kleber Tomaz/G1) O office boy Edson Miguel Sobrinho diz ter sido agredido pelo PM e seus dois amigosTestemunha
De acordo com a polícia, a vítima e um amigo, o office boy Edson Miguel Sobrinho, de 20 anos, foram ao Habib´s a pé para comer um lanche. Sobrinho contou que, ao chegar ao local, viu três homens fazendo “algazarra”. “Eu pedi para eles pararem e os três partiram para cima de mim e do Felipe com socos e pontapés dentro da lanchonete.”
O office boy disse que ele e o amigo foram orientados pelo segurança do estabelecimento a deixar o local porque os homens pretendiam continuar a briga. Eles saíram do lugar correndo. Mas os três foram atrás.
Sobrinho afirmou que, em um determinado momento, o amigo já não o acompanhava. Ao voltar para ver o que tinha ocorrido, notou que Brandão já estava caído, baleado.
Policiais do 24º DP chegaram rapidamente ao local após serem avisados da confusão por funcionários do Habib’s e ouvirem os tiros.
O policial Reis foi preso pela PM a poucos metros do
local, dentro de um carro. Ele foi levado ao 24º DP  para  prestar depoimento. Afastado por licença médica devido a um acidente de moto, ele não estava trabalhando. De acordo com a polícia, o PM usava um revólver do irmão dele.
 
Defesa
Segundo o advogado do policial, Arildo Oliveira de Paula, seu cliente confessou ter atirado na vítima, mas afirmou ter agido "em legítima defesa”. De acordo com ele, o PM e os dois amigos deram uma versão diferente para o início da confusão: disseram que foram os jovens quem começaram a fazer barulho na lanchonete. E que o PM e os amigos pediram silêncio.
“Meu cliente diz que ele e os amigos deixaram a lanchonete para evitar mais confusão e os dois rapazes ameaçaram o trio, fingindo estar armados. Ele atirou para se defender”, disse o advogado.
Os amigos do PM foram ouvidos na condição de testemunhas e foram liberados. A Corregedoria da Polícia Militar abriu procedimento para apurar o caso. O escritório central do Habib's não se manifestou sobre o caso.
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