NOSSA POLITÍCA

6 de ago de 2012

"O Menino do Pijama Listrado



Pela janela de seu quarto, um menino de oito anos consegue avistar uma grande fazenda, onde adultos e crianças passam o dia todo vestidos com pijamas listrados. É a partir da curiosidade em relação a essa imagem inusitada que se desenvolve toda a história de "O Menino do Pijama Listrado" ("The Boy in the Striped Pajamas", Inglaterra/EUA, 2008), que estréia nos cinemas do país nesta sexta-feira (12). Logo que chega à nova casa, essa fazenda que ele avista do quarto passa a ser a possibilidade que ele tem de alterar a rotina solitária do lugar e arranjar alguém para brincar. E é isso que ele busca quando desobedece as orientações de sua mãe e vai até o jardim dos fundos, de onde sai em direção àquelas pessoas de pijamas listrados.O filme se passa em 1940 e tem início quando o garoto Bruno recebe a notícia de que terá que deixar sua confortável casa em Berlim e se mudar com a família para um lugar isolado, no campo. O motivo é a promoção de seu pai, um oficial nazista, que para ele é apenas um soldado. Lá, ele conhece Shmuel, que também tem oito anos, mas vive do outro lado da cerca. As visitas ficam cada vez mais freqüentes e, curioso, ele passa a perguntar a seus pais e à sua irmã o que é esse lugar e quem são aquelas pessoas, mas as respostas, ora evasivas, ora negativas, não têm nada a ver com o que seu coração lhe diz. O tal campo de concentração, como chamam, não tem nada de belo e de alegre como ele vê nos vídeos mostrados a seu pai, e o menino judeu não se parece em nada com o monstro desenhado por todos. Então por que ele tem que ser inimigo? Essa é uma das coisas que Bruno não consegue entender. Mas se o amigo Shmuel não pode vir para o lado de cá da cerca, por motivos que ele também não compreende, então talvez seja mais fácil que ele mesmo passe para o lado de lá.
Quem leu o livro homônimo, escrito pelo irlandês John Boyne, em 2007, vai notar muitas diferenças em relação à história mostrada no filme, como a maneira gradativa com que a mãe percebe o absurdo que acontece à sua volta --no livro, desde o começo, ela parece não aceitar a situação--, a idade de Bruno --que tem nove anos no texto de Boyne-- e como, no final, a família descobre sobre as visitas do garoto ao campo --na obra literária, eles nunca chegam a ter conhecimento do que realmente aconteceu. A pureza e a ingenuidade nas atitudes do menino enfatizam ainda mais o horror do nazismo, que acaba, de uma maneira ou de outra, com a vida de todos.
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