NOSSA POLITÍCA

10 de abr de 2011

Bono emociona quando lembra massacre em Realengo


Bono comanda apresentação do U2 no Estádio Morumbi, em São Paulo. Foto: Fernando Borges/Terra
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Bono Vox canta para multidão de fãs, que lota Estádio do Morumbi em São Paulo. Foto: Fernando Borges/Terra Bono Vox canta para multidão de fãs, que lota Estádio do Morumbi em São Paulo
Foto: Fernando Borges/Terra
Carol Almeida
Direto de São Paulo

Já se iam mais de duas horas de show e a banda acabava de cantar que "não pode viver com ou sem você", em um refrão que ficou cravado na memória da música pop e de várias gerações de corações partidos. Muitos já se encaminhavam para o portão de saída, quando Bono Vox começou o seu mais pessoal discurso da noite, aquele que, de fato, mais do que With or Without You, partiu os corações do público presente. Falou bem da presidente Dilma Rousseff, disse que o País passou por importantes mudanças nos últimos anos e, finalmente, lembrou que este é "um momento difícil" pro Brasil. Ao pedir todos no local erguessem seus celulares e isqueiros, iluminando o Estádio do Morumbi em uma atípica procissão, o vocalista do U2 lembrou as crianças que morreram na escola em Realengo, Rio de Janeiro, em massacre promovido na última quinta-feira (7). Quando os nomes de todas elas foram projetados no imenso telão de 360º, difícil foi achar quem não estivesse, no mínimo, perturbado.

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Desfecho mais do que emotivo para uma noite em que o quarteto irlandês fez aquilo que sabe produzir mais do que qualquer outra banda pop: espetáculo. E, neste caso, estamos falando não apenas de um, mas de dois espetáculos que correm em paralelo nesta turnê. O primeiro acontece com a banda que está sobre o palco. O segundo, esse talvez até bem mais interessante de se ver, se ergue no surpreendente telão cuja angulação de 360º dá nome ao show. Em separado, os dois são meio e mensagens distintos cujos significados se unem em torno daquilo que versa a primeira música do setlist: "Ainda melhor que a Coisa Real" (Even Better than the Real Thing). Em outras palavras: o real é legal, mas o simulacro de uma tela gigante pode ser ainda melhor.
A lembrar que a banda sobe ao palco com uma música que, lá pro final, antes do Bis, é retomada e tem uma mensagem bem clara a passar. A de que estamos no espaço sideral e não há mais contato com a Torre de Controle. O astronauta perdeu o cordão umbilical com a Terra e o U2 quer jogar seu público nessa gravidade zero, onde o espetáculo explode tal qual um Big Bang. A música em questão é Space Oddity, de David Bowie, letra que fala desse homem que foi para a Lua e se perdeu por lá.
Curiosamente, no meio do show, quando canta In a Little While, a banda chama novamente atenção para o mundo além de nossa atmosfera e exibe em seu telão a imagem de um astronauta que enviou uma mensagem pro quarteto diretamente lá de longe. Em suma: U2, os caubóis espaciais irlandeses que, desta vez, projetados em um palco-arena no centro de tudo, sabem se fazer Sol numa galáxia de milhares de fãs que gravitam em torno deles.
Ciente desse efeito gravitacional que exercem, a banda voltou a São Paulo pela terceira vez com um show que sabe equilibrar bem vários discos do grupo - negligenciando apenas trabalhos menos consensuais como os dos álbuns Zooropa e Pop. Trabalha com hits clássicos no começo, meio e fim do show, e aqui e ali, pontua quatro faixas do mais do mais recente No Line On The Horizon. Tudo muito bem montado para agradar aos fãs mais radicais ou apenas aqueles que acompanham o grupo via paradas de sucessos.
E, claro, há Bono. Performático até onde pode ser, ele tem longas conversas com o público. Disse que aquela era a grande "balada" (usando exatamente esta palavra) do sábado à noite e que, depois, como todo paulistano faria, seria o momento de pedir uma pizza. Fatiando a banda nessa clássica receita italiana, Bono se autoproclamou uma pepperoni. Disse que Adam Clayton (baixista) era mais exótico e, por isso, seria uma "pizza de banana". Falou que o guitarrista The Edge era o cara que pedia as coisas mais "obscuras" do menu e, por isso, seria uma pizza de Jaca ou, que sabe, minhoca (difícil foi ele conseguir falar a palavra "minhoca"). E Larry Mullen Jr., o baterista, é a pizza sem queijo, sem tomate e sem molho. Ele é somente a "pizza bonitinha" da banda. E com esse estranho momento gastronômico, pediu pra The Edge "detonar" no solo inicial de I Still Haven't Found What I'm Looking For.
Pouco depois, o vocalista do U2 mantém a tradição de chamar fãs ao palco e puxa uma moça quase desnorteada para perto. Senta ao lado dela e a entrega uma folha de papel. Pede para que ela leia a mensagem e eis que ouvimos a moça recitar Carinhoso, de Braguinha/Pixinguinha, meio sem saber se lia que "Meu coração não sei por que bate feliz quando te vê" ou se agarrava o cantor que ainda mantém a pinta de galã aos 50 anos. Mas a moça foi contida. Só não se pode dizer o mesmo de boa parte da multidão que gritava a cada começo de música.
E boa parte desses gritos, bom ressaltar, aconteciam em razão daquele outro espetáculo que citamos no começo do texto: o do telão gigante que toma conta de boa parte de nossa atenção. Além de mostrar a banda em tempo real (bom lembrar que cada uma das quatro "garras" que cercam o palco tinha três homens apontando gigantes câmeras para o quarteto), o telão é resultado de uma ilha de edição própria, que ora faz uma brilhante montagem de imagens ao vivo e pré-gravadas, e ora fragmenta a imagem ao vivo em quebra-cabeças ou em vertiginosos carrosséis. Movimentos de difícil descrição e fácil deslumbre.
Em tempo: São Pedro parece ser fã da banda. A chuva que caía forte sobre o Morumbi acabou pouco antes de o U2 subir ao palco e voltou a aparecer somente poucos minutos depois do grupo se despedir dos fãs.
Abertura
A banda britânica Muse, que abre os shows da 360º Tour desde o Chile, quando teve início a turnê latino-americana no dia 25 de março, fez show de aproximadamente 45 minutos - com início pontual às 20h. Logo que os músicos saíram de cena, uma grande equipe secou o palco e posicionou os instrumentos para a atração principal.
Setlist do U2
Even Better than the Real Thing
I Will Follow
Get On Your Boots
Magnificent
Mysterious Ways
Elevation
Until the End of the World
I Still Haven't Found What I'm Looking For
Stuck in a Moment
Beautiful Day
In a Little While
Miss Sarajevo
City Of Blinding Lights
Vertigo
I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight
Sunday, Bloody Sunday
Walk On
One

- Intodução de Help, dos Beatles
Where the Streets Have no Name
Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me
With or Without You
Moment of Surrender


Serviço
Onde: Estádio do Morumbi - Praça Roberto Gomes Pedrosa, nº 1, Morumbi
Quando: 10 e 13 de abril
Horário: 20h
Abertura: Muse
Ingressos: todos os setores estão esgotados
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Terra
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