NOSSA POLITÍCA

8 de nov de 2015

Lama de Rejeitos: Colatina, Linhares e Baixo Guandu livres de risco de enchente de lama

Apesar da expectativa, a previsão será atualizada, com o monitoramento da translação da onda de cheia ao longo do rio

Rio Doce Colatina   Foto Reprodução :ConectNews Fred Willian
O Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que monitora a expansão da lama de minério que inundou o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, região central de Minas Gerais, em decorrência do rompimento das duas barragens da Samarco, descartou a possibilidade de enchente de lama em cidades capixabas. Segundo último boletim, divulgada na manhã deste domingo (08), a previsão é que o pico da onda de cheia chegue a Baixo Guandu na terça (10), em Colatina na quarta (11) e em Linhares na quinta (12). Sem, contudo, causar enchentes nos municípios que estão localizados na margem do rio Doce.
Apesar da expectativa, a previsão será atualizada, com o monitoramento da translação da onda de cheia ao longo do rio. A mesma poderá ser acompanhada no link do SACE (Sistema de alerta de eventos críticos) da CPRM observando as estações: Cachoeira dos Óculos, Belo Oriente, Governador Valadares, Tumiritinga, Colatina e Linhares.
Preocupado com os riscos os municípios do Espírito Santo tomaram algumas medidas. Em Colatina o prefeito, Leonardo Deptulski, determinou a suspensão do abastecimento, como medida de precaução. Na cidade, a Cesan garantiu reforço na disponibilização de carros-pipa. É possível que as aulas na rede pública municipal sejam suspensas a partir de terça (10), por tempo ainda indeterminado.
Linhares não corre risco de faltar água, pois a capitação é feita no Rio Pequeno. Em outubro, a prefeitura fez uma barragem nele, para manter o volume, e esta servirá como uma barreira de contato da água do Rio Doce com o Rio Pequeno, garantindo uma segurança extra para o abastecimento de Linhares. Desta forma, o município linharense poderá auxiliar no abastecimento de água para Colatina e Baixo Guandu. Mesmo com tendo o menor risco, dez carros-pipa ficarão à disposição 24 horas para atender, sobretudo, hospitais e unidades de saúde, além de outros órgãos públicos que prestam serviços essenciais.
Já na cidade de Baixo Guandu o prefeito Neto Barros determinou a suspensão do abastecimento de água, tão logo a lama de minério advinda de Minas Gerais chegue à calha do rio Doce. Em comunicado de alerta à população, a prefeitura explicou: “O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Baixo Guandu está em contato direto com os órgãos responsáveis, e desde já, está monitorando para cuidar do abastecimento de água para a cidade, tanto no que diz respeito à quantidade, como à qualidade. O procedimento será o seguinte: no momento que a água com a lama chegar, o SAAE para as bombas por um tempo, colhe amostra e analisa a água. Caso seja possível tratar, garantindo a qualidade, sem nenhum risco, o abastecimento volta ao normal. Se não, é suspenso”.
O Governo do Estado solicitou que as cidades na mira da lama tomem três medidas, que estão sendo adotadas desde a manhã de sábado (06): (01) avisar para que não fiquem próximas ao rio. (02) garantir o abastecimento de água para órgãos públicos com serviços essenciais à população (03) pedir que a população economize, faça reserva de água, porque não se sabe por quanto tempo as três cidades ficarão sem água tratada.
Em nota, a Samarco garante que está atenta a qualquer repercussão no Espírito Santo e em constante contato com as autoridades competentes em função do acidente ocorrido nas barragens de Fundão e Santarém, em Minas Gerais. “A expansão da mancha que avança no Rio Doce está sendo permanentemente monitorada pela empresa. A Samarco está tomando todas as providências possíveis para mitigar os impactos ambientais gerados e, em caso de necessidade, auxiliar prefeituras e as comunidades em eventuais ocorrências. A coleta de amostras de água nos trechos impactados já foi iniciada e terá continuidade até a normalização da situação. É importante mencionar que a empresa está, no momento, concentrando seus esforços no atendimento às pessoas atingidas”.
Registro de Moradores
Onda de destruiçãoA lama de rejeitos sólidos e água usados no processo de mineração lançada dos reservatórios deixou cerca de 300 famílias desabrigadas. Mais de 20 pessoas estão desaparecidas e uma pessoa foi morta, segundo informações do Corpo de Bombeiros. Três distritos de Mariana foram atingidos – Camargos, Paracatu de Baixo e Bento Rodrigues –, além da cidade de Barra Longa. Pelo menos 500 pessoas foram resgatadas apenas em Bento Rodrigues, que fica mais perto da mina da Samarco.
MPES vai apurar as consequências da lama ao meio ambiente
O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Centro de Apoio Operacional da Defesa do Meio Ambiente (Caoa) e das Promotorias de Justiça dos municípios afetados, abrirá inquérito civil para apurar as consequências e os impactos sociais e ambientais provocados, em municípios capixabas, pelo rompimento das barragens da empresa Samarco em Mariana, Minas Gerais.
Nesta segunda-feira (09) deve ser encaminhada equipe técnica destinada à apuração dos bens ambientais afetados, assim como os prejuízos sociais, em função da lama resultante do desastre que atingiu o Rio Doce e que deve chegar ao Espírito Santo nesta data, alcançando os municípios de Baixo Gandu, Colatina e Linhares.
A previsão é que o nível do rio suba até um metro e meio e que o município de Colatina tenha o abastecimento de água suspenso em razão da lama na água do Rio Doce.
O MPES já orientou os municípios capixabas a elaborarem laudos de gastos do erário com prejuízos e atividades emergenciais com o episódio, a fim de que, a seu tempo, possam ser ressarcidos. Os promotores de Justiça estão de sobreaviso para acompanhar de perto o episódio e, dentro de suas atribuições, dar todo apoio necessário ao poder público e à população afetados.
O órgão também orienta órgãos públicos e associações de pescadores e ambientais para, nas respectivas esferas de atribuição, coletarem e acautelarem informações, fotos, filmagens documentos e outros elementos de convicção sobre eventuais prejuízos (como danos à saúde humana, mortandade de peixes, destruição da flora, etc.) relativos à onda de rejeitos ao longo da calha do Rio Doce, oriunda do rompimento das barragens em Mariana, para posterior encaminhamento ao Ministério Público, para preservação da prova e para permitir a adoção das respectivas medidas de reparação dos danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados.
Informações: ESHOJE
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